sábado, 26 de abril de 2008

Lealdade



se não gritei, amor, na despedida,
foi por pura vaidade.
Os corpos se lançando à terra
sem perdão, sem paixão.

Agora que volto, peço abrigo
pedaço de pão, roupa lavada
(Casa comigo?)

Dançaremos amanhã, vá guardar teu vestido
que é pra não amassar enquanto estivermos dormindo.
dormindo...
(pintura de Marc Chagall)

sábado, 19 de abril de 2008

Um passeio ao Horto atingido pela calma que é o que é sincero ao ser.

Da última vez vim e encontrei-o. Cortei-me.
Hoje, depois de meses contando as horas no dedo, retorno mas sabendo que já não encontrarei mais ninguém. Verei formigas rolando por sobre o tapete verde, mas não atrapalharei o fluxo. Havendo sorriso, haveria fala. Mas não há. Há vento, há falta.
Somente olho. Olho tudo e (trans)vejo. Estou surda e quase muda de tão cega.

Daqui detrás do muro branco, velho e inexistente pois o criei literário e sem valor, vejo um casal. Eles estão vestidos de preto e se escondem por entre vitórias, régias. São altos, absurdos e agora são brancos, alheios.
Vejo que dão as mãos e começam a se enrolar. Acho que flutuam. Desejo também a mão que os toca, o corpo que é tocado. O Abraço que dão faz vento mim. Mais vento, sempre. E o único toque que reconheço e finjo fazer é do cabelo se enlaçando nos laços azuis presos aos meus dedos.

Faz dias que ouvi um grito: você está sumindo,apareça! mas eu não soube distinguir de onde vinha e botei a culpa em mim, para ser fácil. E agora vejo as pessoas me negligenciando e não sei o porquê. Deve ser a surdez, aumentando.

Vejo algas à minha volta e meus pés estão se dobrando.
Cheios de nós, os meus dedos. Mas nem ligo, desconectada. (Morrer no lago verde...)
Como foi que perdi os braços assim, tão de repente e calma, doendo pouco e tão agudo era o grito que vinha das árvores. Não me comparei mais a nada: e o cotidiano complicou-se. A natureza, gelada. Curvas.

Cheia de reticentes à cabeça, vou pluralizando os sentidos: quando foi a última vez em que escrevi? Ouvidos povoam minha dúvida mas erram sempre a mira. Estou esquivada, eternamene.
Me ligaram em algum laboratório, dentro de um câncer, abaixo de uma teia.
Sei que não é a morte ainda, tão calmo o que sinto.

Pulei
na
á
g
u
a
ver
de.

...Ufa.