quarta-feira, 29 de julho de 2009

'Se quiserem,podem meter-me numa camisa de força,
mas não existe coisa mais inútil que um órgão.'
Enquanto estiver aqui,anti-coisa,anti-tudo,
e os meus braços abreviadamente mortos,
mas os meus lábios,ainda que parados,
chuvosos.
(por entre muitas pernas,muito sangue
e muito medo)
pulando de vôo no meio de tudo,
no olho,centro do centro
do mundo:caquinho de vidro.

E o meu vidro sangrando dores.
Sete mil arabescos revoltados.
E por unanimidade,incolores.

E dirão:Qual morte:
Um texto que ninguém lê,
grito que meu travesseiro
nem ouve.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Enquanto eu dizia
que na alma não tenho
um só cabelo branco,
uma aranha me circulava
o joelho da perna.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Mariana bailava,louca.
Mariana coroava os sapos.
Mariana com o pé nas escadas,
entre dois lados esticada.

Dançou Mariana:chuva de pedra.
Se entristece Mariana,três lágrimas pros astros,
boneca de trapo:estrapiada.


Mas morre Mariana e morre tudo,morre tu.
Morre galho torto de árvore
e entortece morto.
na mesa a laranja seca,
derrubo
com as minhas mãos
e a reza da noite,trêmula e grávida de morte
De Mariana congelei os beijos na minha geladeira.
Meu ventilador venta sua língua sêca.
Ela me costura com uma linha e um alicate
e ainda bota ovos dentro de mim;
A Mariana,égua jorrando sangue de um ritual que
Hoje desconheço.

domingo, 19 de julho de 2009

Andarei reluzente sobre os corpos
(que imagino)
porque meu Tempo é esse e o sonho foge.
Mas nunca fugirá mais
(eu creio)
porque resolvi pegar com as mãos dos dentes
(que imagino)
e seguir dançando em toda rua
(que creio)
pra doer,poder e crer
que imagino.Ou imaginar que creio.

Apresento aqui o duelo da sobreposição entre imaginar e crêr,e tudo isso é como a infinitude da exitência de Deus.
(E é como a infinitude da dúvida.)

sexta-feira, 17 de julho de 2009



de la pelicula La Maman et la Putain-Jean Eustache

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Continuamos

Pessoas se suportam e manuseio o dirigível:a mãe ensinou,
a escola e a catequese.
Meu futuro é de mais um brasileiro à mercê do seu tempo.

Não fosse pelo que guardo,seria isso
E mais nada.

Mas tem a vida,esse estar em mim.
Me mato a cada suspiro e volto
entre o sol e a noite,
com cinco tintas na mão e um fuzil de dor.

A luta é a lei e o cansaço é moderno:
Então meu cansaço é outro.
Branco,cheio de lentidão
nos passos no meio da escada
nas mãos que procuram entre os lençóis
tão vazias mancham

E além de tudo o amor.
E ela repete que o amor é mais...
e que ninguém ama.


(Olhei qual criança para a eternidade:precisou chover.)

sábado, 11 de julho de 2009

Soslaio


solstício: astron.tempo em que o Sol se acha no ponto mais afastado do Equador



Estou parada-em frente à circulação dos trens-
inutilmente-
com os novilhos nas mãos.

O céu passa distante nos meus ombros.
Suspiro tanto parêntese.

Largo no chão as sacolas que havia trago.
É possível ver aquela fruta que cai.
(Todos olham para a fruta que cai)

O trem chega mas desisto e não o pego mais
Quanto aos minutos:
ou
ou
ou

"Il faut tenter de vivre",ela resmunga,rindo.