sexta-feira, 8 de maio de 2009

corre lá e aqui.
São cidades outras,mas as mesmas.
No corpo tenho guardada a minha digestão da matéria,
e lá eles se infiltram nas pedras da rua de um jeito,um jeito
muito igual ao que me prega nos meus postes.
Não gostamos de cinza,mas nos submetemos à matéria diária,
à matéria de engano e delírio geral.
Carregamos nas mãos,com uma força inventada,
o peso da carroça diária.Às vezes carregam em uma bicicleta.
(Também tenho uma bicicleta para carregar a inclinação das minhas costas.)
Dialéticas de imitação de tempo,tradição
e dor
na falsa renovação dos homens
quando,nas mesas de bar,contam suas piadas
sobre o dia,o trabalho,e a mulher,
o dia,o trabalho,e a mulher.

Inverga minha coluna o roçar das rodas.
E inverga a tua também...
Porque no fim do dia não há esperança.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Topo do sonho nu

Coçando minha barba,contando minhas sardas,fumando charuto, sugando um suco,correndo no cavalo, pintando minha boca.
Coroa de léu,vão da escada,boneca de trapo,balde vazio,rádio sem cor.
Moro num pavio,deslizo num desvio,galopo no inseto,rumino o artifício.
Alto do morro corre,casa vazia,pneu inchado.
Dois a dois ri.Dois a dois ri.
Tudo azul como num giro.

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(vírgulas contam o fôlego do meu desejo)