quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Luzes da Saudade

no dia que está a chegar, o tempo de praça terá fim. e ficarão as sombras das árvores,
as sombras das roupas e do exagero, o banco que batizamos de sombra.
ficarão, no chão, as folhas de árvore dum outono próximo,
no ciclo das estações que não pára.
ficará a grama menos verde. menos viva.
os postes, eu vejo da janela de casa, amarelados de rugas.
e as crianças, que não nós,
continuarão a correr. outras crianças/as mesmas.

e numa cidade longe, numa casa desprovida de infância,
estaremos jantando e esquecendo, cada instante mais,
a cor dos velhos vestidos.
o eco me lembra os gritos que
na infinitude cega dos homens que estamos por conhecer
se perderão sobre lençóis de camas.
Nos travesseiros estão mortas minhas alegrias.

3 comentários:

Wellington Felix disse...

Essa tristeza que encontra sentidos, isso me fascina e entritesse, e alegra, alias arte é o que nos emociona não é . . .

Di' stante Enfim disse...

Nostálgico e indubitavelmente inspirador, moça.

Teatro disse...

Que beleza...,
que pureza...,
...me sinto mais vivo.