Da última vez vim e encontrei-o. Cortei-me.
Hoje, depois de meses contando as horas no dedo, retorno mas sabendo que já não encontrarei mais ninguém. Verei formigas rolando por sobre o tapete verde, mas não atrapalharei o fluxo. Havendo sorriso, haveria fala. Mas não há. Há vento, há falta.
Somente olho. Olho tudo e (trans)vejo. Estou surda e quase muda de tão cega.
Daqui detrás do muro branco, velho e inexistente pois o criei literário e sem valor, vejo um casal. Eles estão vestidos de preto e se escondem por entre vitórias, régias. São altos, absurdos e agora são brancos, alheios.
Vejo que dão as mãos e começam a se enrolar. Acho que flutuam. Desejo também a mão que os toca, o corpo que é tocado. O Abraço que dão faz vento mim. Mais vento, sempre. E o único toque que reconheço e finjo fazer é do cabelo se enlaçando nos laços azuis presos aos meus dedos.
Faz dias que ouvi um grito: você está sumindo,apareça! mas eu não soube distinguir de onde vinha e botei a culpa em mim, para ser fácil. E agora vejo as pessoas me negligenciando e não sei o porquê. Deve ser a surdez, aumentando.
Vejo algas à minha volta e meus pés estão se dobrando.
Cheios de nós, os meus dedos. Mas nem ligo, desconectada. (Morrer no lago verde...)
Como foi que perdi os braços assim, tão de repente e calma, doendo pouco e tão agudo era o grito que vinha das árvores. Não me comparei mais a nada: e o cotidiano complicou-se. A natureza, gelada. Curvas.
Cheia de reticentes à cabeça, vou pluralizando os sentidos: quando foi a última vez em que escrevi? Ouvidos povoam minha dúvida mas erram sempre a mira. Estou esquivada, eternamene.
Me ligaram em algum laboratório, dentro de um câncer, abaixo de uma teia.
Sei que não é a morte ainda, tão calmo o que sinto.
Pulei
na
á
g
u
a
ver
de.
...Ufa.
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3 comentários:
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ai, fiquei com medo desse texto!nem ia comentar, mas ai cliquei pra ver o que tinham comentado e vi q era uma propaganda! ai revoltei, né?! vc e seu texto merecem mto mais q simples comentários...agora fazer dele espaço para propaganda é ultrajante!
mas falando do seu post ...
ñ queria comentar pq senti q tava incluída no grupo dos que andam te negligenciando e bateu uma culpa... dai surgiu o medo. Pensei: melhor nem falar pra Amanda que eu li, mas ai eu ia estar negligenciando ainda mais, não é?
Bem, o texto é realmente muito bom! do ponto de vista literário, digo.
Porque de outro ponto,talvez mais pessoal, mais "amandal" achei muito triste,negro...consegui enxergar o horto totalmente em brumas e em preto-e-branco. ñ sei se te dou parabéns por conseguir expor(em palavras) tanto um sentimento ou se fico preocupada por vc ver td assim escuro; por vc estar carente; e por sentir-se sufocada devido a comentários (estaria eu no grupo dos que dizem que vc sumiu?acho que sim...);
bem....já não sei o que penso...me diz depois se eu estou viajando! ok?
Belo conto Amanda...beijos.Ana Lúcia
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