sábado, 4 de outubro de 2008


Lucrecia Martel, seus olhos de pântano...
Olhos verde-musgo, olhos fechados
Dentro de casa, no ventilador
Fora de casa, no pico, no alto.
No auge, apogeu dos deuses infernais.
A menina santa, a menina teto.
A menina tola.
Menina cálice, lente, aceno.
Riso trancado no travesseiro quente.
Afobar-se.
Estão tratando mal.
Absorvendo calor.
Abusando da malícia.
Não estão tomando água.
Não estão ouvindo mais.
Filho, mostra para eles.
Filho filho...

domingo, 28 de setembro de 2008

Cigarro pra passar o tempo.
Bebida pra passar a noite.
Saudade pra passar queimando.
Vontade pra passar vivendo.

Tinta no muro,in-vento.
Tinteiro pra ir escrevendo.
Dinheiro pra passar isento.

A chuva,esse passar chovendo.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

E por pedido geral agradecemos
por não quebrarem as pernas nossas.
Vai muito além das pernas.
Vou bem além do sexo.
Esse infinito desconhecem.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

(foto: Breath,Kim ki-duk)

E serei eu aquela das estações.
E reconciliarei o escuro, a vertigem e o medo.

domingo, 14 de setembro de 2008

Apare-ser.

Em ruínas sinto frio.
Nas casas alheias, desejo.
No bar explodo -veemência-
em contestação:afogar e rir.
Em casa sonho.
Nas ruas vejo
Nas portas bato
Na vida cresço.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

"Não se pode ter paz evitando a vida" Virg. Woolf

Não é sobre se cortar ou sobre pó para elevar ou sobre pílula para fugir. Tampouco seria sobre o fim das coisas, porque preciso de menos coragem para ir que para ficar. Escrevo mesmo é sobre a cena que preenche o espaço, este mesmo espaço controlando o tempo, varando na frente para desaguar em condições. O espaço me cria. Meu tempo aceita.
A cena imóvel nos olhos, os olhos imóveis no rosto, o rosto imóvel nas mãos. E mãos imóveis na cama. Barulho lá, silêncio aqui. Mas com uns gritinhos esparsos.
Seria sobre amor, não fosse a falta de palavras. A falta de tato... A dúvida.
Seria sobre alguém. Seria, sim, sobre mim, não fossem as tuas mãos, o afago, o escarro... Não te fosse!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Latido de cão e briga de cão e olhar de cão na janela em que eu me debruço com o ar de loucura fatigada pela retina da luz que dá nos postes e corta a praça em preto-amarelo. No âmago do meu retiro, entre o gole de café e a aspa do cheiro na xícara do mesmo café que engulo, nesse âmago que é tambem o âmago das coisas todas, do absurdo-e-assim-vai, nesse âmago está a brevidade dos corpos. Existe uma forma de ver o caminho que é simples e doível, pouco esférica e mais reta em ruína que tudo. Essa forma é o que atormenta a noite e os latidos dos cães dentro da MINHA retina. É a forma que abusa das minhas horas vagas. A forma que come. Dá fim ao lirismo qualquer e cai de terra nos joelhos como a pedir que nasça novamente mas sem consciência agora. É a forma que sussurra: fica, menina, de olhos grandes porque acontece a história e tu deve abraçá-la porque, tá vendo, os passos são dados e os de trás da fila vão sendo arrastados, arranhados, e para fora. Tem um estado das coisas que pede para me achar porque eu posso estar perdida e não adianta: é sempre o mesmo cheiro de café.

sábado, 9 de agosto de 2008

-É muito absurdo. é realmente muito absurdo.
-O quê, o mundo né.
-É. posso ser nada, posso ser tudo. uma vez que me dispo no meio da rua, estou viva ainda. uma vez que me tranco, estou. se digo ali a loucura aqui, ainda estou. Não entedo as regras. Estou cá mas lá é tão grande mas tão grande... e o além do além é também uma possibilidade. Pensei nisso e me perdi.

(Egon Schiele)
Às vezes eu prefiro que me sejam.