Minha alma está tão triste
quanto mais casas encontro
debaixo dos tetos.
E acendem as luzes
como se eletrizassem meu corpo e
secassem meus rios
com seus sóis comprados.
'Minha alma está mais triste que todas as árvores de natal do mundo'
Mas ela é uma feira lotada, e a cidade me condiz entranhas.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Parte não-publicada de uma Carta Histórica de Amor Católico
"É somente uma pena, querido, que eu deva ressaltar quão alto é o vôo e tenha de censurar que daqui a dias a queda tão maior e inoportuna será. É um assalto saber do tempo e de como ele vai levar a euphoria a se desfalecer tão cruelmente em minhas mãos hoje azuis de amor. E vermelhas de paixão,porque antes de tudo o que sinto por ti é recente e é o mesmo orgasmo que nos subiu na nossa primeira noite, há duas semanas, naquele hotel barato e tu não me chama de puta antes de me lamber. Só depois.Só depois e eu gosto."
Do padre/ao padre:
E se é isso que chamam de amor, essa vontade absurda que tenho de te comer, então que seja abortado o dom da fala, na boca de um inseto desprovido de asas e sem ânimo para continuar a viver."
Do padre/ao padre:
E se é isso que chamam de amor, essa vontade absurda que tenho de te comer, então que seja abortado o dom da fala, na boca de um inseto desprovido de asas e sem ânimo para continuar a viver."
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Agora eu não sonho mais.
Acordei de vez, abri meus olhos com as mãos,
mãos tiradas lá de dentro, de um lugar incomodado
com o corpo que, pouco teso, rompeu com os homens.
Irrompem-se agora os meus órgãos, estendendo num varal
sem poesia, sem carícia.
Vou doente à feira. Compro o que te convém.
Deixo aberta a minha roupa. Me coma logo.
Agora resolvi ser breve. Costura tapada.
A cera seca.
Estou faz três dias plantada no sol de ferro,
na praça central do Rio de Janeiro, o calor enorme,
a fagulha em volta, luzinhas de casa e gente,
eu sem brilho, centelha envolta num papel isolante,
cinza escuro das calçadas, calçadas.
Sou breve e me equiparam, urubu, comida, asco.
Luz estranha e inexata que não evidencia mais.
mãos tiradas lá de dentro, de um lugar incomodado
com o corpo que, pouco teso, rompeu com os homens.
Irrompem-se agora os meus órgãos, estendendo num varal
sem poesia, sem carícia.
Vou doente à feira. Compro o que te convém.
Deixo aberta a minha roupa. Me coma logo.
Agora resolvi ser breve. Costura tapada.
A cera seca.
Estou faz três dias plantada no sol de ferro,
na praça central do Rio de Janeiro, o calor enorme,
a fagulha em volta, luzinhas de casa e gente,
eu sem brilho, centelha envolta num papel isolante,
cinza escuro das calçadas, calçadas.
Sou breve e me equiparam, urubu, comida, asco.
Luz estranha e inexata que não evidencia mais.
domingo, 26 de outubro de 2008
Terça.
Remédio pra dormir, pra perder pra ganhar
Pra sentir, pra beber pra sondar
Para evitar, e ser, e ser. E mais:
Ela tomou. Esmagou. Retrocesso.Processo.
Excesso.
Cigarro é ficha,feijão é cru:Não passa,
Engole o vento.
A pílula não tem cheiro, não desperta.
A pílula não engorda
a garganta.
A pílula placebo, oxigênio
de papel.
A Pílula alimenta a tarde.
A tarde alimenta a dor.
À noite não passa.
Pra sentir, pra beber pra sondar
Para evitar, e ser, e ser. E mais:
Ela tomou. Esmagou. Retrocesso.Processo.
Excesso.
Cigarro é ficha,feijão é cru:Não passa,
Engole o vento.
A pílula não tem cheiro, não desperta.
A pílula não engorda
a garganta.
A pílula placebo, oxigênio
de papel.
A Pílula alimenta a tarde.
A tarde alimenta a dor.
À noite não passa.
sábado, 4 de outubro de 2008
domingo, 28 de setembro de 2008
terça-feira, 23 de setembro de 2008
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
domingo, 14 de setembro de 2008
Apare-ser.
Em ruínas sinto frio.
Nas casas alheias, desejo.
No bar explodo -veemência-
em contestação:afogar e rir.
Em casa sonho.
Nas ruas vejo
Nas portas bato
Na vida cresço.
Nas casas alheias, desejo.
No bar explodo -veemência-
em contestação:afogar e rir.
Em casa sonho.
Nas ruas vejo
Nas portas bato
Na vida cresço.
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