sábado, 10 de janeiro de 2009

A dor.

is keep
is fluctuate
.
.
.
is fluctuate
.
.
.
is keep,keeping
(a dor é)

A dor dói.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Às vezes loto luas, às vezes ruas.

Minha alma está tão triste
quanto mais casas encontro
debaixo dos tetos.
E acendem as luzes
como se eletrizassem meu corpo e
secassem meus rios
com seus sóis comprados.

'Minha alma está mais triste que todas as árvores de natal do mundo'
Mas ela é uma feira lotada, e a cidade me condiz entranhas.

Parte não-publicada de uma Carta Histórica de Amor Católico

"É somente uma pena, querido, que eu deva ressaltar quão alto é o vôo e tenha de censurar que daqui a dias a queda tão maior e inoportuna será. É um assalto saber do tempo e de como ele vai levar a euphoria a se desfalecer tão cruelmente em minhas mãos hoje azuis de amor. E vermelhas de paixão,porque antes de tudo o que sinto por ti é recente e é o mesmo orgasmo que nos subiu na nossa primeira noite, há duas semanas, naquele hotel barato e tu não me chama de puta antes de me lamber. Só depois.Só depois e eu gosto."

Do padre/ao padre:
E se é isso que chamam de amor, essa vontade absurda que tenho de te comer, então que seja abortado o dom da fala, na boca de um inseto desprovido de asas e sem ânimo para continuar a viver."

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Agora eu não sonho mais.

Acordei de vez, abri meus olhos com as mãos,
mãos tiradas lá de dentro, de um lugar incomodado
com o corpo que, pouco teso, rompeu com os homens.
Irrompem-se agora os meus órgãos, estendendo num varal
sem poesia, sem carícia.
Vou doente à feira. Compro o que te convém.
Deixo aberta a minha roupa. Me coma logo.
Agora resolvi ser breve. Costura tapada.
A cera seca.
Estou faz três dias plantada no sol de ferro,
na praça central do Rio de Janeiro, o calor enorme,
a fagulha em volta, luzinhas de casa e gente,
eu sem brilho, centelha envolta num papel isolante,
cinza escuro das calçadas, calçadas.
Sou breve e me equiparam, urubu, comida, asco.
Luz estranha e inexata que não evidencia mais.

domingo, 26 de outubro de 2008

Terça.

Remédio pra dormir, pra perder pra ganhar
Pra sentir, pra beber pra sondar
Para evitar, e ser, e ser. E mais:
Ela tomou. Esmagou. Retrocesso.Processo.
Excesso.
Cigarro é ficha,feijão é cru:Não passa,
Engole o vento.
A pílula não tem cheiro, não desperta.
A pílula não engorda
a garganta.
A pílula placebo, oxigênio
de papel.

A Pílula alimenta a tarde.
A tarde alimenta a dor.
À noite não passa.

sábado, 4 de outubro de 2008


Lucrecia Martel, seus olhos de pântano...
Olhos verde-musgo, olhos fechados
Dentro de casa, no ventilador
Fora de casa, no pico, no alto.
No auge, apogeu dos deuses infernais.
A menina santa, a menina teto.
A menina tola.
Menina cálice, lente, aceno.
Riso trancado no travesseiro quente.
Afobar-se.
Estão tratando mal.
Absorvendo calor.
Abusando da malícia.
Não estão tomando água.
Não estão ouvindo mais.
Filho, mostra para eles.
Filho filho...

domingo, 28 de setembro de 2008

Cigarro pra passar o tempo.
Bebida pra passar a noite.
Saudade pra passar queimando.
Vontade pra passar vivendo.

Tinta no muro,in-vento.
Tinteiro pra ir escrevendo.
Dinheiro pra passar isento.

A chuva,esse passar chovendo.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

E por pedido geral agradecemos
por não quebrarem as pernas nossas.
Vai muito além das pernas.
Vou bem além do sexo.
Esse infinito desconhecem.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

(foto: Breath,Kim ki-duk)

E serei eu aquela das estações.
E reconciliarei o escuro, a vertigem e o medo.