sábado, 21 de fevereiro de 2009

Em volta do pescoço pendurei cordões de disfarce,
mas ainda tive os braços vazios.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Então é preciso que cuide.
Pra nao morrer é preciso que cuide.

estive alguns dias doente
adoeci por descuido,
pensamento demasiado
cabeça multiplicada
como piolhos
-catei um piolho catei dois três fui catando-

no final só catei e fui
fui cantando
cantando errado e
pontiaguda

adoeci com um vazio doido,
coisa de gente fugida
apontada,criminosa.

E me mostraram de novo o mundo.
Ovelha bem branca depois do descuido.
A noite com lua saindo da minha boca
me fez enjoar do meu chiclete que era ácido.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

eu quero o reto
desviado
indiscreto
e errado


e fiz do reto
o retardado

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

o ar encolhido nos braços.
o chão medido nos pés.
descalços,devassos.
não é minha essa palavra-passo
é minha a mão e a mente
mas o pensamento,
o pensamento-percalço,
esse pensamento
redundantemente é falso.
.
mas é minha a mão e a mente.
e é fato:atiro meu corpo contra o
espaço,que não é falso.e é fogo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Esperam.

Esperam um poema auto-biográfico,
desesperam um poema sobre laços
e afetos
do eulírico-poeta.
[no espelho falsificam e treinam
a expressão:surpresa]
Esperam uma cena,o espetáculo.
Que pulem,que falem,agradeçam.
E passam,os que esperam,
doentes,deitados na reza
chorados
esculpidos de memória
x
x
e morrem sem afeto,
sem cartas,dedicações.
Morrem sem dó,na contra-poesia,
velhice,poeira,besteira.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Estou tão aguda,preciso ferir.
Esta é minha semelhança com o vidro.
E o que vem de dentro eu reflito.
Reflito,
e só reflito.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Alto da noite do alto.
Minha noite no alto
a noite
no ATO


no grau
desato
desterro
en-feto
no gato
ensaio
-----------
sou aguda.
bonecos
planetas
barulhos

o
o
o

estranho meus órgãos
e ouço
meu medo

e temo
meus olhos


e corro.

sábado, 10 de janeiro de 2009

A dor.

is keep
is fluctuate
.
.
.
is fluctuate
.
.
.
is keep,keeping
(a dor é)

A dor dói.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Às vezes loto luas, às vezes ruas.

Minha alma está tão triste
quanto mais casas encontro
debaixo dos tetos.
E acendem as luzes
como se eletrizassem meu corpo e
secassem meus rios
com seus sóis comprados.

'Minha alma está mais triste que todas as árvores de natal do mundo'
Mas ela é uma feira lotada, e a cidade me condiz entranhas.

Parte não-publicada de uma Carta Histórica de Amor Católico

"É somente uma pena, querido, que eu deva ressaltar quão alto é o vôo e tenha de censurar que daqui a dias a queda tão maior e inoportuna será. É um assalto saber do tempo e de como ele vai levar a euphoria a se desfalecer tão cruelmente em minhas mãos hoje azuis de amor. E vermelhas de paixão,porque antes de tudo o que sinto por ti é recente e é o mesmo orgasmo que nos subiu na nossa primeira noite, há duas semanas, naquele hotel barato e tu não me chama de puta antes de me lamber. Só depois.Só depois e eu gosto."

Do padre/ao padre:
E se é isso que chamam de amor, essa vontade absurda que tenho de te comer, então que seja abortado o dom da fala, na boca de um inseto desprovido de asas e sem ânimo para continuar a viver."