Acordei de vez, abri meus olhos com as mãos,
mãos tiradas lá de dentro, de um lugar incomodado
com o corpo que, pouco teso, rompeu com os homens.
Irrompem-se agora os meus órgãos, estendendo num varal
sem poesia, sem carícia.
Vou doente à feira. Compro o que te convém.
Deixo aberta a minha roupa. Me coma logo.
Agora resolvi ser breve. Costura tapada.
A cera seca.
Estou faz três dias plantada no sol de ferro,
na praça central do Rio de Janeiro, o calor enorme,
a fagulha em volta, luzinhas de casa e gente,
eu sem brilho, centelha envolta num papel isolante,
cinza escuro das calçadas, calçadas.
Sou breve e me equiparam, urubu, comida, asco.
Luz estranha e inexata que não evidencia mais.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
domingo, 26 de outubro de 2008
Terça.
Remédio pra dormir, pra perder pra ganhar
Pra sentir, pra beber pra sondar
Para evitar, e ser, e ser. E mais:
Ela tomou. Esmagou. Retrocesso.Processo.
Excesso.
Cigarro é ficha,feijão é cru:Não passa,
Engole o vento.
A pílula não tem cheiro, não desperta.
A pílula não engorda
a garganta.
A pílula placebo, oxigênio
de papel.
A Pílula alimenta a tarde.
A tarde alimenta a dor.
À noite não passa.
Pra sentir, pra beber pra sondar
Para evitar, e ser, e ser. E mais:
Ela tomou. Esmagou. Retrocesso.Processo.
Excesso.
Cigarro é ficha,feijão é cru:Não passa,
Engole o vento.
A pílula não tem cheiro, não desperta.
A pílula não engorda
a garganta.
A pílula placebo, oxigênio
de papel.
A Pílula alimenta a tarde.
A tarde alimenta a dor.
À noite não passa.
sábado, 4 de outubro de 2008
domingo, 28 de setembro de 2008
terça-feira, 23 de setembro de 2008
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
domingo, 14 de setembro de 2008
Apare-ser.
Em ruínas sinto frio.
Nas casas alheias, desejo.
No bar explodo -veemência-
em contestação:afogar e rir.
Em casa sonho.
Nas ruas vejo
Nas portas bato
Na vida cresço.
Nas casas alheias, desejo.
No bar explodo -veemência-
em contestação:afogar e rir.
Em casa sonho.
Nas ruas vejo
Nas portas bato
Na vida cresço.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
"Não se pode ter paz evitando a vida" Virg. Woolf
Não é sobre se cortar ou sobre pó para elevar ou sobre pílula para fugir. Tampouco seria sobre o fim das coisas, porque preciso de menos coragem para ir que para ficar. Escrevo mesmo é sobre a cena que preenche o espaço, este mesmo espaço controlando o tempo, varando na frente para desaguar em condições. O espaço me cria. Meu tempo aceita.
A cena imóvel nos olhos, os olhos imóveis no rosto, o rosto imóvel nas mãos. E mãos imóveis na cama. Barulho lá, silêncio aqui. Mas com uns gritinhos esparsos.
Seria sobre amor, não fosse a falta de palavras. A falta de tato... A dúvida.
Seria sobre alguém. Seria, sim, sobre mim, não fossem as tuas mãos, o afago, o escarro... Não te fosse!
A cena imóvel nos olhos, os olhos imóveis no rosto, o rosto imóvel nas mãos. E mãos imóveis na cama. Barulho lá, silêncio aqui. Mas com uns gritinhos esparsos.
Seria sobre amor, não fosse a falta de palavras. A falta de tato... A dúvida.
Seria sobre alguém. Seria, sim, sobre mim, não fossem as tuas mãos, o afago, o escarro... Não te fosse!
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Latido de cão e briga de cão e olhar de cão na janela em que eu me debruço com o ar de loucura fatigada pela retina da luz que dá nos postes e corta a praça em preto-amarelo. No âmago do meu retiro, entre o gole de café e a aspa do cheiro na xícara do mesmo café que engulo, nesse âmago que é tambem o âmago das coisas todas, do absurdo-e-assim-vai, nesse âmago está a brevidade dos corpos. Existe uma forma de ver o caminho que é simples e doível, pouco esférica e mais reta em ruína que tudo. Essa forma é o que atormenta a noite e os latidos dos cães dentro da MINHA retina. É a forma que abusa das minhas horas vagas. A forma que come. Dá fim ao lirismo qualquer e cai de terra nos joelhos como a pedir que nasça novamente mas sem consciência agora. É a forma que sussurra: fica, menina, de olhos grandes porque acontece a história e tu deve abraçá-la porque, tá vendo, os passos são dados e os de trás da fila vão sendo arrastados, arranhados, e para fora. Tem um estado das coisas que pede para me achar porque eu posso estar perdida e não adianta: é sempre o mesmo cheiro de café.
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