sábado, 3 de maio de 2008

If you are feeling Sinister


inevitavelmente ele chegava à varanda da casa, todo dias às cinco,e se debruçava no portãozinho que dava de frente para os carros que passavam a todo vapor. quase que os engolia.

e aí ele, se sentindo todo levado e moleque, gritava: -mamãe quer que eu me case!

ó, sim, aquele homenzarrão de vinte e cinco nadando sobre as rosas do lençol que aquela que inventou de colocá-lo ao mundo fazia questão de estender com a delicadeza que só têm os possuidores de mãos lisas. e o medo da roupa branca, do véu escorrendo dentro do seu estômago.

e então ele se ria, se mijava só de pensar na possibilidade de mais uma vez seus pais chamarem a dona Moça à casa deles afim de conhecer suas peculiaridades. ela veria os sapatos desarrumados na lavanderia e no chão do quarto; ela veria os maxilares da família tremendo, uníssoros, sinistros como só o sotão da casa cnseguida sê-lo; ela veria seus pés errantes pisando no vestido enquanto dançavam o réquiem das horas de domingo; veria o engolir das comidas (eram todos sapos, todos sapos. uma família inteirinha de sapos!); veria o coro despreparado e a desafinação de seus companheiros em música, Os Alcalinos. oh, decerto ele nunca se casaria com Magdalena, a Moça. e principalmente ELA nunca se casaria com ele.

e a mamãe ainda quer que eu me case, todo dias, às cinco.



3 comentários:

Beatriz Rodrigues disse...

as pálpebras teimam em fechar, mas o que seriam cinco, se já estamos plenos de horários, e a todo momento nos dizem o que fazer... não case, reinventemos nossas vicissitudes e cotidianidades! Mas, seja sapo, ou seja moça... ame...

Anônimo disse...

Vc realmente consegue ser mais interessante que o céu noturno em noite de lua cheia...

stormrider777 disse...

...você que faz a palavra andar, cantar, dançar , fazer amor... você que faz a palavra viva...