sábado, 24 de maio de 2008

Um daqueles feriados.

(começo) Sol caindo lá fora. Sem vizinhos, o ouvido é eco único.
O sofá de tom pastel e o chão um pouco mais escuro. Calça jeans e blusa branca.
Ele caiu cansado após ligar o som.
E, cansado, desistiu da música. E, vocês sabem, também cansado, suspirou.
Então foi morrer um pouco.
Deitou de leve a cabeça em seu braço gelado e ficou.E ficou.
Era uma tarde simples, eu já devo ter dito isso.
E uma narrativa também cansada de simples.

(meio) A porta se abriu; ela chegou.

(fim) Chegou trazendo sua calça jeans e sua blusa também branca.
Pois que se despiram: Tanto branco, que tanto faz. Tanta paz, que tanto fez.
Traços de um antigo amor, relampejaram.
Apagam-se as luzes, rasgam-se os panos.
Os gatos rosnam, cantando um som magnífico, quase deus.
Espalha-se o cabelo da moça, expõe-se o peito do moço.
Espalha-se o desejo do moço, expõe-se o grito da moça.
O Sol se põe. Dançam-se os gatos.
As flores murcham de calor. Os dois murcham de calor.
Faz-se sexo. Faz-se, Amor, calar. Calor.


(imagem de Julie Pilke, em Gérrard: www.gerrard.no)

Um comentário:

stormrider777 disse...

...palavras tão bem colocadas que se transformam em imagens...