quarta-feira, 23 de julho de 2008

Esgóto.


Uma vez por semana ele colocava o ralo no balde para lavar.
Uma vez por semana ele se sentava com as pernas
coladas no balde d'água, era só água o mundo.E êxtase.
As amantes vinham e eles se deitavam naquele mesmo chão,
elas encaravam o ralo na hora da copulação
a dizer gemidos infelizes e realizadores.
O ralo sabia, ele bem sabia, de todo o vermelho,
das roupas, dos pés a corações.
Encarar o ralo quando ao dizer ai
e terminar sem fim a história dos azulejos.
Escorrer, voltar, insetos, cabelos, enfim, pequenos deuses.
Enfatizar a vida púrpura dos canos.
Tapete nenhum abrevia por completo a poeira, o cisco
que engrandece engrandece e de tão sujo
é lambido pelas águas geladas.
Chegar do orgasmo limpo de conceitos.
Não me entenda, me seja.

3 comentários:

stormrider777 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Di' stante Enfim disse...

Adeus(há Deuses demais!)as vidinhas insípidas, regradas, perfumadas com desinfetantes aromatizados artificialmente - grande texto senhorita, nele coube um pouco do Céu, um pouco do Inferno.

Lívia Caldieraro disse...

Escorrer, voltar, insetos, cabelos, enfim, pequenos deuses.