quinta-feira, 13 de agosto de 2009

o Con têr do acaso

4 reais por uma noite
400 segundos
40 pedaladas de volta pra casa
e um restante de ar


Quatro-mil-desejos-inexoráveis
aos Quatro milhões de impulsos guardados
ao fundo bem raso
os delírios contidos
Por acaso.

Há quanto tempo não escrevo aqui.
Sujo as mãos de poeira.
Estão todos saindo de casa
Voltando com os pés de barro
Eu mesma estou saindo
E aqui:
Que cor tem o camaleão na frente do espelho?
Aprendi a ser sozinha
E junto,
Quero o gingado de uma capoeira calma
O berimbau tocando meu corpo
Os cabelos dançando.
Quero todas as cores do mundo.
E o segredo é a vida.
Porque vivo.
(E só por isso.)

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O erro doente em acreditar em algo que não.A mão vazia de recordação outra hora sim.Mas não.A borda do espelho rindo de mim.Outra hora sim.

Desisto.

Sou a sombra,menina mulher
no meio da rua
na sua tarefa
pra não morrer
Ainda.
Simples condição
Humana.


-Eis um mundo.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

'Se quiserem,podem meter-me numa camisa de força,
mas não existe coisa mais inútil que um órgão.'
Enquanto estiver aqui,anti-coisa,anti-tudo,
e os meus braços abreviadamente mortos,
mas os meus lábios,ainda que parados,
chuvosos.
(por entre muitas pernas,muito sangue
e muito medo)
pulando de vôo no meio de tudo,
no olho,centro do centro
do mundo:caquinho de vidro.

E o meu vidro sangrando dores.
Sete mil arabescos revoltados.
E por unanimidade,incolores.

E dirão:Qual morte:
Um texto que ninguém lê,
grito que meu travesseiro
nem ouve.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Enquanto eu dizia
que na alma não tenho
um só cabelo branco,
uma aranha me circulava
o joelho da perna.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Mariana bailava,louca.
Mariana coroava os sapos.
Mariana com o pé nas escadas,
entre dois lados esticada.

Dançou Mariana:chuva de pedra.
Se entristece Mariana,três lágrimas pros astros,
boneca de trapo:estrapiada.


Mas morre Mariana e morre tudo,morre tu.
Morre galho torto de árvore
e entortece morto.
na mesa a laranja seca,
derrubo
com as minhas mãos
e a reza da noite,trêmula e grávida de morte
De Mariana congelei os beijos na minha geladeira.
Meu ventilador venta sua língua sêca.
Ela me costura com uma linha e um alicate
e ainda bota ovos dentro de mim;
A Mariana,égua jorrando sangue de um ritual que
Hoje desconheço.

domingo, 19 de julho de 2009

Andarei reluzente sobre os corpos
(que imagino)
porque meu Tempo é esse e o sonho foge.
Mas nunca fugirá mais
(eu creio)
porque resolvi pegar com as mãos dos dentes
(que imagino)
e seguir dançando em toda rua
(que creio)
pra doer,poder e crer
que imagino.Ou imaginar que creio.

Apresento aqui o duelo da sobreposição entre imaginar e crêr,e tudo isso é como a infinitude da exitência de Deus.
(E é como a infinitude da dúvida.)

sexta-feira, 17 de julho de 2009



de la pelicula La Maman et la Putain-Jean Eustache

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Continuamos

Pessoas se suportam e manuseio o dirigível:a mãe ensinou,
a escola e a catequese.
Meu futuro é de mais um brasileiro à mercê do seu tempo.

Não fosse pelo que guardo,seria isso
E mais nada.

Mas tem a vida,esse estar em mim.
Me mato a cada suspiro e volto
entre o sol e a noite,
com cinco tintas na mão e um fuzil de dor.

A luta é a lei e o cansaço é moderno:
Então meu cansaço é outro.
Branco,cheio de lentidão
nos passos no meio da escada
nas mãos que procuram entre os lençóis
tão vazias mancham

E além de tudo o amor.
E ela repete que o amor é mais...
e que ninguém ama.


(Olhei qual criança para a eternidade:precisou chover.)

sábado, 11 de julho de 2009

Soslaio


solstício: astron.tempo em que o Sol se acha no ponto mais afastado do Equador



Estou parada-em frente à circulação dos trens-
inutilmente-
com os novilhos nas mãos.

O céu passa distante nos meus ombros.
Suspiro tanto parêntese.

Largo no chão as sacolas que havia trago.
É possível ver aquela fruta que cai.
(Todos olham para a fruta que cai)

O trem chega mas desisto e não o pego mais
Quanto aos minutos:
ou
ou
ou

"Il faut tenter de vivre",ela resmunga,rindo.