vida e morte eu vejo e transvejo:
vida e morte em tudo
muito aduba e permanece _adubando/adubado
outros esquecem do jogo e vão se acabar
zumbi múmia e gente
tudo junto
se roendo se comendo
escravos da vida limitada.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
sábado, 7 de junho de 2008
A poesia rima pouco e expande mais
Já tentei croché
Já tentei tricô
Já fiz pão e fiz teatro.
Entrei pra esquerda,
cutuquei o partido;
Fiz bolo e artesanato.
Tentei de tudo, tentei de nada.
Fui Zé Ninguém e dona-de-casa.
Já dormi sonhando reis,
Já dormi sonhando putas,
amantes de Sol, amantes de Lua.
Mas não me encaixei em nada
E fui ser coringa no meio da rua.
Já tentei tricô
Já fiz pão e fiz teatro.
Entrei pra esquerda,
cutuquei o partido;
Fiz bolo e artesanato.
Tentei de tudo, tentei de nada.
Fui Zé Ninguém e dona-de-casa.
Já dormi sonhando reis,
Já dormi sonhando putas,
amantes de Sol, amantes de Lua.
Mas não me encaixei em nada
E fui ser coringa no meio da rua.
terça-feira, 27 de maio de 2008
Nem ligo.
Tenho mentido mais. Esquecido mais. Falsificando, dobrando e guardando no bolso dos dedos da alma tudo isso. E apodrecendo. No fim do dia metabolizo-me como um requiem, imponente e escroto. Individualista e distorcido. Isolada e imutável. Preta sem branco.
Mas talvez eu não esteja sendo sincera agora. É, acho que não.
Mas talvez eu não esteja sendo sincera agora. É, acho que não.
sábado, 24 de maio de 2008
"Ah, como ela queria que não fosse de noite. Teria achado muito melhor viajar de dia, muito, muito melhor. Mas a mulher da Agência de Empregados havia dito: 'é melhor tomar o navio da tarde e, se conseguir uma cabine só para mulheres no trem, vai se sentir muito mais segura do que se fosse dormir em um hotel estrangeiro.' (...) Quatro horas e meia da madrugada. Uma luz azul e fria banhava o vidro das janelas. Agora, ao desembaçar um pedaço, ela conseguiu perceber trechos de campos brilhantes, um amontoado de casas brancas como cogumelos, uma estrada que parecia 'um quadro', com choupos alinhados de cada lado, o fio de um riacho..."
sobre Fräulein, de A Pequena Governanta- Marguerite Duras.
Um daqueles feriados.
(começo) Sol caindo lá fora. Sem vizinhos, o ouvido é eco único.
(imagem de Julie Pilke, em Gérrard: www.gerrard.no)
O sofá de tom pastel e o chão um pouco mais escuro. Calça jeans e blusa branca.
Ele caiu cansado após ligar o som.
E, cansado, desistiu da música. E, vocês sabem, também cansado, suspirou.
Então foi morrer um pouco.
Deitou de leve a cabeça em seu braço gelado e ficou.E ficou.
Era uma tarde simples, eu já devo ter dito isso.
E uma narrativa também cansada de simples.
(meio) A porta se abriu; ela chegou.
(fim) Chegou trazendo sua calça jeans e sua blusa também branca.
Pois que se despiram: Tanto branco, que tanto faz. Tanta paz, que tanto fez.
Traços de um antigo amor, relampejaram.
Apagam-se as luzes, rasgam-se os panos.
Os gatos rosnam, cantando um som magnífico, quase deus.
Espalha-se o cabelo da moça, expõe-se o peito do moço.
Espalha-se o desejo do moço, expõe-se o grito da moça.
O Sol se põe. Dançam-se os gatos.
As flores murcham de calor. Os dois murcham de calor.
Faz-se sexo. Faz-se, Amor, calar. Calor.
(imagem de Julie Pilke, em Gérrard: www.gerrard.no)quarta-feira, 21 de maio de 2008
E um menino que aos meus doze não lavava os cabelos acaba de suicidar, aos vinte,
enforcado como os ídolos.
E a menina da bolsa grande, reluzente, cantarola músicas inglesas
no ônibus que a leva para a casa do pais.
Mães e pais aflitos tentam se esquecer dos filhos, reproduzindo.
Deixam quente a cama, a chama.
Talvez ali, no íntimo do íntimo onde os seres se amam (se amam-prazer-amam),
alguma coisa pode ser explicada. Alguma coisa pode ser entendida... dessa vida.
enforcado como os ídolos.
E a menina da bolsa grande, reluzente, cantarola músicas inglesas
no ônibus que a leva para a casa do pais.
Mães e pais aflitos tentam se esquecer dos filhos, reproduzindo.
Deixam quente a cama, a chama.
Talvez ali, no íntimo do íntimo onde os seres se amam (se amam-prazer-amam),
alguma coisa pode ser explicada. Alguma coisa pode ser entendida... dessa vida.
sábado, 3 de maio de 2008
If you are feeling Sinister
inevitavelmente ele chegava à varanda da casa, todo dias às cinco,e se debruçava no portãozinho que dava de frente para os carros que passavam a todo vapor. quase que os engolia.
e aí ele, se sentindo todo levado e moleque, gritava: -mamãe quer que eu me case!
ó, sim, aquele homenzarrão de vinte e cinco nadando sobre as rosas do lençol que aquela que inventou de colocá-lo ao mundo fazia questão de estender com a delicadeza que só têm os possuidores de mãos lisas. e o medo da roupa branca, do véu escorrendo dentro do seu estômago.
e então ele se ria, se mijava só de pensar na possibilidade de mais uma vez seus pais chamarem a dona Moça à casa deles afim de conhecer suas peculiaridades. ela veria os sapatos desarrumados na lavanderia e no chão do quarto; ela veria os maxilares da família tremendo, uníssoros, sinistros como só o sotão da casa cnseguida sê-lo; ela veria seus pés errantes pisando no vestido enquanto dançavam o réquiem das horas de domingo; veria o engolir das comidas (eram todos sapos, todos sapos. uma família inteirinha de sapos!); veria o coro despreparado e a desafinação de seus companheiros em música, Os Alcalinos. oh, decerto ele nunca se casaria com Magdalena, a Moça. e principalmente ELA nunca se casaria com ele.
e a mamãe ainda quer que eu me case, todo dias, às cinco.
sábado, 26 de abril de 2008
Lealdade

se não gritei, amor, na despedida,
foi por pura vaidade.
Os corpos se lançando à terra
sem perdão, sem paixão.
Agora que volto, peço abrigo
pedaço de pão, roupa lavada
(Casa comigo?)
Dançaremos amanhã, vá guardar teu vestido
que é pra não amassar enquanto estivermos dormindo.
dormindo...
(pintura de Marc Chagall)
sábado, 19 de abril de 2008
Um passeio ao Horto atingido pela calma que é o que é sincero ao ser.
Da última vez vim e encontrei-o. Cortei-me.
Hoje, depois de meses contando as horas no dedo, retorno mas sabendo que já não encontrarei mais ninguém. Verei formigas rolando por sobre o tapete verde, mas não atrapalharei o fluxo. Havendo sorriso, haveria fala. Mas não há. Há vento, há falta.
Somente olho. Olho tudo e (trans)vejo. Estou surda e quase muda de tão cega.
Daqui detrás do muro branco, velho e inexistente pois o criei literário e sem valor, vejo um casal. Eles estão vestidos de preto e se escondem por entre vitórias, régias. São altos, absurdos e agora são brancos, alheios.
Vejo que dão as mãos e começam a se enrolar. Acho que flutuam. Desejo também a mão que os toca, o corpo que é tocado. O Abraço que dão faz vento mim. Mais vento, sempre. E o único toque que reconheço e finjo fazer é do cabelo se enlaçando nos laços azuis presos aos meus dedos.
Faz dias que ouvi um grito: você está sumindo,apareça! mas eu não soube distinguir de onde vinha e botei a culpa em mim, para ser fácil. E agora vejo as pessoas me negligenciando e não sei o porquê. Deve ser a surdez, aumentando.
Vejo algas à minha volta e meus pés estão se dobrando.
Cheios de nós, os meus dedos. Mas nem ligo, desconectada. (Morrer no lago verde...)
Como foi que perdi os braços assim, tão de repente e calma, doendo pouco e tão agudo era o grito que vinha das árvores. Não me comparei mais a nada: e o cotidiano complicou-se. A natureza, gelada. Curvas.
Cheia de reticentes à cabeça, vou pluralizando os sentidos: quando foi a última vez em que escrevi? Ouvidos povoam minha dúvida mas erram sempre a mira. Estou esquivada, eternamene.
Me ligaram em algum laboratório, dentro de um câncer, abaixo de uma teia.
Sei que não é a morte ainda, tão calmo o que sinto.
Pulei
na
á
g
u
a
ver
de.
...Ufa.
Hoje, depois de meses contando as horas no dedo, retorno mas sabendo que já não encontrarei mais ninguém. Verei formigas rolando por sobre o tapete verde, mas não atrapalharei o fluxo. Havendo sorriso, haveria fala. Mas não há. Há vento, há falta.
Somente olho. Olho tudo e (trans)vejo. Estou surda e quase muda de tão cega.
Daqui detrás do muro branco, velho e inexistente pois o criei literário e sem valor, vejo um casal. Eles estão vestidos de preto e se escondem por entre vitórias, régias. São altos, absurdos e agora são brancos, alheios.
Vejo que dão as mãos e começam a se enrolar. Acho que flutuam. Desejo também a mão que os toca, o corpo que é tocado. O Abraço que dão faz vento mim. Mais vento, sempre. E o único toque que reconheço e finjo fazer é do cabelo se enlaçando nos laços azuis presos aos meus dedos.
Faz dias que ouvi um grito: você está sumindo,apareça! mas eu não soube distinguir de onde vinha e botei a culpa em mim, para ser fácil. E agora vejo as pessoas me negligenciando e não sei o porquê. Deve ser a surdez, aumentando.
Vejo algas à minha volta e meus pés estão se dobrando.
Cheios de nós, os meus dedos. Mas nem ligo, desconectada. (Morrer no lago verde...)
Como foi que perdi os braços assim, tão de repente e calma, doendo pouco e tão agudo era o grito que vinha das árvores. Não me comparei mais a nada: e o cotidiano complicou-se. A natureza, gelada. Curvas.
Cheia de reticentes à cabeça, vou pluralizando os sentidos: quando foi a última vez em que escrevi? Ouvidos povoam minha dúvida mas erram sempre a mira. Estou esquivada, eternamene.
Me ligaram em algum laboratório, dentro de um câncer, abaixo de uma teia.
Sei que não é a morte ainda, tão calmo o que sinto.
Pulei
na
á
g
u
a
ver
de.
...Ufa.
sábado, 22 de março de 2008
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