quinta-feira, 19 de março de 2009

Anoiteceu.

Que doença é essa?
Pareço ter perdido um joelho
mas foi só a garganta
que cossou.
E a língua continuou seca,
porque já os ouvidos
entorpeceram debaixo dos lençóis.

Gritei então do sonho que tive.
Mas a porta do vizinho
estava trancada e ele dormia
ameaçando a língua
com a chave na boca.

domingo, 15 de março de 2009

E se todos nós vivêssemos?

quarta-feira, 4 de março de 2009

Flutuo até a esquina e volto.
O som que ouço é o azul de mim mesma.
No centro dos meus braços estou cheia de bolhas.
Para sentir o mundo tenho as mãos abertas.
Confundo os pés com o vento
E minha neblina se faz no escuro.

[Amanda manoelzada]

terça-feira, 3 de março de 2009

Cansado e mofado,é como está o espírito que eu uso.que você usa?é,esse aqui,ó!Abro a blusa,rasgo a roupa,o pano,o pranto,as calças,os olhos.esse meu espírito nu,mas difuso,meio estranho e sombreado.Exausto.arranco os cabelos,as formas do corpo reluzem como uma criança que enfia os olhos úmidos no vão da janela e olha pro alto bem besta,esquálida,inocente pra não dizer idiota.esse espírito rouco! (mas não ouve) Esse vermelho.essa merda.O que me fode é que embaçam meu vidro.Ovos quebrados na caixa,desejos reprimidos na deficiência,poesias mofadas nas gavetas. "As minhas,as minhas poesias!!" e porque não mostra?vergonha? Cansaço...


(depoimento de um velho chato)

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Em volta do pescoço pendurei cordões de disfarce,
mas ainda tive os braços vazios.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Então é preciso que cuide.
Pra nao morrer é preciso que cuide.

estive alguns dias doente
adoeci por descuido,
pensamento demasiado
cabeça multiplicada
como piolhos
-catei um piolho catei dois três fui catando-

no final só catei e fui
fui cantando
cantando errado e
pontiaguda

adoeci com um vazio doido,
coisa de gente fugida
apontada,criminosa.

E me mostraram de novo o mundo.
Ovelha bem branca depois do descuido.
A noite com lua saindo da minha boca
me fez enjoar do meu chiclete que era ácido.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

eu quero o reto
desviado
indiscreto
e errado


e fiz do reto
o retardado

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

o ar encolhido nos braços.
o chão medido nos pés.
descalços,devassos.
não é minha essa palavra-passo
é minha a mão e a mente
mas o pensamento,
o pensamento-percalço,
esse pensamento
redundantemente é falso.
.
mas é minha a mão e a mente.
e é fato:atiro meu corpo contra o
espaço,que não é falso.e é fogo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Esperam.

Esperam um poema auto-biográfico,
desesperam um poema sobre laços
e afetos
do eulírico-poeta.
[no espelho falsificam e treinam
a expressão:surpresa]
Esperam uma cena,o espetáculo.
Que pulem,que falem,agradeçam.
E passam,os que esperam,
doentes,deitados na reza
chorados
esculpidos de memória
x
x
e morrem sem afeto,
sem cartas,dedicações.
Morrem sem dó,na contra-poesia,
velhice,poeira,besteira.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Estou tão aguda,preciso ferir.
Esta é minha semelhança com o vidro.
E o que vem de dentro eu reflito.
Reflito,
e só reflito.