domingo, 13 de julho de 2008

Janelas dos olhos da janela dos olhos da alma...


Eu não poderia deixar de escrever sobre Evgen Bavcar, fotógrafo francês cego.
Até onde vão os olhos, e quando é que a visão passa a sair de dentro, não sendo somente pupilar e sim espiritual? Bavcar retira de dentro de si a fotografia que vê e sente.

O conheci em um documentário dirigido por Walter Carvalho e João Jardim.
Vários artistas participaram, e além de Bavcar, para mim se destacou Wim Wender, cineasta, pois dizia algo sobre as obras atuais, tevê e filmes principalmente, serem muralhas. Quando era criança, o que o fazia crescer era pegar um livro e poder adentrar nas entrelinhas, estar realmente livre para se sentir o personagem. Os filmes western, conhecidos faroeste, tinham também essa janela. Você se sentia o protagonista, e sofria e se alegrava de verdade com o filme. Hoje não, tudo acontece de uma forma tão rápida e fechada que te impossibilita de penetrar.

De pouca coisa eu, Amanda, preciso. Aprendi a me imaginar como flor, herói, gótica, gato, amante e também mulher. Bavcar era tudo sem ver.

Uma das vontades que sempre tive é usar óculos. Quando era pequena, precisei.
E o dia em que fui ao oculista e ele disse "Sim!" tenho aqui na memória. Posso descrevê-lo em traços, em cores, em gente, em lugar, enfim, não perdi a sensação. Óculos deve enquadrar tudo e quando Adriana Calcanhoto diz enxergar enquadrado, penso nas velhas lentes.
Este ano fingi ter dores nos olhos mais de uma vez. Em uma delas, cheguei a ir ao médico para ouvir "Não!".
Tudo que o que avistar estar dentro, intrínseco, aprofundado. Eu chegaria a estudar melhor. Me adentrar melhor em tudo.
Às vezes leio no escuro para estragar minha visão. Não tive resultado ainda.


Pouco falei de Bavcar, enfim, prefiro que vejam.

2 comentários:

Lívia Caldieraro disse...

Usar oculos é um charme...hehehe...

:)

Di' stante Enfim disse...

Uso óculos por necessidade mesmo rs Ainda há quem pense que sou um nerd, Ex-CDF, pseudointelectual ou mesmo algum integrante do Weezer, entretanto, indiferente as críticas, aberto aos narcisos e elogios(risos), admito que hoje me sinto demasiado exposto, nu sem eles.