quinta-feira, 23 de julho de 2009

Enquanto eu dizia
que na alma não tenho
um só cabelo branco,
uma aranha me circulava
o joelho da perna.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Mariana bailava,louca.
Mariana coroava os sapos.
Mariana com o pé nas escadas,
entre dois lados esticada.

Dançou Mariana:chuva de pedra.
Se entristece Mariana,três lágrimas pros astros,
boneca de trapo:estrapiada.


Mas morre Mariana e morre tudo,morre tu.
Morre galho torto de árvore
e entortece morto.
na mesa a laranja seca,
derrubo
com as minhas mãos
e a reza da noite,trêmula e grávida de morte
De Mariana congelei os beijos na minha geladeira.
Meu ventilador venta sua língua sêca.
Ela me costura com uma linha e um alicate
e ainda bota ovos dentro de mim;
A Mariana,égua jorrando sangue de um ritual que
Hoje desconheço.

domingo, 19 de julho de 2009

Andarei reluzente sobre os corpos
(que imagino)
porque meu Tempo é esse e o sonho foge.
Mas nunca fugirá mais
(eu creio)
porque resolvi pegar com as mãos dos dentes
(que imagino)
e seguir dançando em toda rua
(que creio)
pra doer,poder e crer
que imagino.Ou imaginar que creio.

Apresento aqui o duelo da sobreposição entre imaginar e crêr,e tudo isso é como a infinitude da exitência de Deus.
(E é como a infinitude da dúvida.)

sexta-feira, 17 de julho de 2009



de la pelicula La Maman et la Putain-Jean Eustache

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Continuamos

Pessoas se suportam e manuseio o dirigível:a mãe ensinou,
a escola e a catequese.
Meu futuro é de mais um brasileiro à mercê do seu tempo.

Não fosse pelo que guardo,seria isso
E mais nada.

Mas tem a vida,esse estar em mim.
Me mato a cada suspiro e volto
entre o sol e a noite,
com cinco tintas na mão e um fuzil de dor.

A luta é a lei e o cansaço é moderno:
Então meu cansaço é outro.
Branco,cheio de lentidão
nos passos no meio da escada
nas mãos que procuram entre os lençóis
tão vazias mancham

E além de tudo o amor.
E ela repete que o amor é mais...
e que ninguém ama.


(Olhei qual criança para a eternidade:precisou chover.)

sábado, 11 de julho de 2009

Soslaio


solstício: astron.tempo em que o Sol se acha no ponto mais afastado do Equador



Estou parada-em frente à circulação dos trens-
inutilmente-
com os novilhos nas mãos.

O céu passa distante nos meus ombros.
Suspiro tanto parêntese.

Largo no chão as sacolas que havia trago.
É possível ver aquela fruta que cai.
(Todos olham para a fruta que cai)

O trem chega mas desisto e não o pego mais
Quanto aos minutos:
ou
ou
ou

"Il faut tenter de vivre",ela resmunga,rindo.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

O significado é um signo incompleto enquanto a vida vive.
(chamo de detalhe o nome do meu deus)
Paulatino idéias com a pouca fé
que consegui colher.
Mas agonizo sem fé,
de mãos vazias
porque,se encontrar,
vai querer vou querer
perder

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Quem falou em aprender

Quem falou em aprender
não foram
As rodas da minha bicicleta
não foram
os salões da festa
nem foi
a minha professora

A minha professora
não quer aprender

Não foi
o amor:
O amor aprendeu
amando.
(A Amanda aprendeu amando)

Não foram
as falas
nem o cigarro

Nem foram os homens
:os homens de escolha preferiram
a poesia
-e nem a poesia!:
eles preferiram
As ruas
à idéia mórbida do aprendizado pendente.

Nem foram os padres,que estes
prostituíram.
Mas as prostitutas,aprenderam?

O jornal não me ensinou
Nada.
,porque eu não me ensinei.

Nem fui eu
que não quis aprender
ou que quis:
Eu quisera,eu e tu quiséramos,queríamos e quer-éramos
algo maior
que aprender,
algo muito maior que isso,
algo que é estar
nesse infinito que não pude descrever no fim da poesia.




*
(E tampouco aprendi com o infinito.
Enquanto eu dele falava,estive distraída
com a vida.
A vida: falta-de-pontuação-do-meu-escrever

A vida mal-educada,
que não aprendeu
com ninguém
e
nada

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Olho de atenta pra privada.A pasta na boca,a-lisiamento da minha pele,enquanto imagino a calçada que pisarão as sandálias,cinco minutos e estarei viva.Ou antes estive viva,tão mais:os dentes podres,suvaco,enquando lia um texto e a cabeça era o máximo da minha agonia,minhas pernas cruzadas dizendo o quanto as idéias NÃO DESFILAM,mas são para tampar objetos com ponta.Por isso não sei como vai se expor,e vou-do ovo,dentro,ovo vou-,é tanto lá dentro e a jaqueta surrada leva uma eternidade,nas mangas o desespero de uma casa,um degrau que meus pés alcançam enquanto andam nos azulejos,porque a educação da privada eu aprendi,já a andar pela casa,intuição.revelia das pernas tortas tão retas na rua.Guardo os olhos caolhos em casa e saio para passear com a lente de olhos verdes.Só espero um tiro na testa,qualquer vestígio de sangue e mudez,nudez e sangue.(para passar a latir,farejar as sacolas)