sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

domingo, 9 de dezembro de 2007

Exposição.

Sobretudo me resta o medo de escrever.
Medo de que leiam minhas comparações desprovidas de sentido, pois aí moram os fantasmas que têm na ponta da língua toda a trajetória reveladora de minhas noites mal dormidas aos meus dias sonolentos. São estes mesmos fantasmas que, aparentemente bondosos, sentem de malgrado o gosto de pendurar minha cara em um varal exposto ao mundo indigno para que percebam os mínimos defeitos e imperfeições escondidos pela medianidade dos meus atos (meu sorriso apaziguador disfarça tanto...).
Perdoem pela sinceridade, aceitem minha sinceridade.
Mas não posso deixar de escrever, eis o porém.
Talvez eu só esteja inventando estas palavras e combinando-as com outras para não ter de sentir tão profundamente o corte que me abriria a pele e mostraria... mostrar? O quê e a quem? Não existe especificidade, mas se o verbo insiste em ser transitivo: mostra-me inteira, e a tudo. A tudo e inteira.
Ah, se existissem esconderijos para os erros...E se existem, favor não me ensinarem o caminho.(preciso continuar, imperfeita, assim.)

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

esvazio.
ex-vazio.
quando?

não creio.

pra quê?

um dia olhei pra vida-toda
a toda-vida mesmo:
você deve imaginar o que vi.

você não deve ver o que
imagino.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Ana e ele.

Sorvete. Rua. Idéias.

ele e Ana.

Cama. Corpo e perna.

domingo, 2 de dezembro de 2007

qual lado?qual parte?
minha contradição não mente, não.
mas fato é que eu quero pegar o mundo e
jogar em mim, engolir inteiro.
pra poder escolher as peças
(depois, talvez, agora):
ao falar, esse;
ao ser, aquele.
e ver o quebra-cabeça diferente, errado.
saindo de moda/morrer no f[r]io
tentando voar.

dar sombra para encucar em ti
as perguntas.

domingo, 4 de novembro de 2007

Cinza: branco e preto. Paz ou não. Monotonia, depressão. Vício. sem sonhos, podridão. Dia morno, morte, medo. Não permite mudança de cores, de ar. A casa velha, de móveis comidos. Telhado caído, parado e passado-inatos. Cor de dó, e só, dor de pó. Antiquada cor de linhas que pouco desejo que tracem meus dias.
...de pedra.
Mas não, não aceito: finjo.
Diferentemente, pois que com dó.
Quase um desprezo, se ouso e o perco.
Oi/oi. Bom dia/bom dia.
Au-to-má-ti-co.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

De Lado

Com passos lentos
e a sutileza de uma libélula não-púrpura
e pura,
ela andava por detrás da janela
e sentia em seu rosto o vento fraco
das tardes de invernos rigorosos.
Esboçava o Sol em seus quadros úmidos,
mas por vezes desistia.
o branco dos quadros era o que possuía
de mais fiel aos seus atos:
retratavam sua calma exata e sensata por vezes,
assim pensava.

-Mal sabiam a pessoas que passavam
pelo lado de fora da janela que,
não fossem as dores,
a garota não existiria.
belle e sebastian acalmou
dançou as horas
fiz o almoço das crianças
pensando na flor de longe...
o Sol brilhou fraco,
céu azul.
desapimentei o arroz
(branco que devia continuar)
e logo provei a sobremesa
sorri, quando choveu.
o tempo passou, as crianças se foram,
e sem almoço. sem fim.
parei, parou.
minha tarde sumiu.

morre-se de paz?