quinta-feira, 25 de junho de 2009

O significado é um signo incompleto enquanto a vida vive.
(chamo de detalhe o nome do meu deus)
Paulatino idéias com a pouca fé
que consegui colher.
Mas agonizo sem fé,
de mãos vazias
porque,se encontrar,
vai querer vou querer
perder

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Quem falou em aprender

Quem falou em aprender
não foram
As rodas da minha bicicleta
não foram
os salões da festa
nem foi
a minha professora

A minha professora
não quer aprender

Não foi
o amor:
O amor aprendeu
amando.
(A Amanda aprendeu amando)

Não foram
as falas
nem o cigarro

Nem foram os homens
:os homens de escolha preferiram
a poesia
-e nem a poesia!:
eles preferiram
As ruas
à idéia mórbida do aprendizado pendente.

Nem foram os padres,que estes
prostituíram.
Mas as prostitutas,aprenderam?

O jornal não me ensinou
Nada.
,porque eu não me ensinei.

Nem fui eu
que não quis aprender
ou que quis:
Eu quisera,eu e tu quiséramos,queríamos e quer-éramos
algo maior
que aprender,
algo muito maior que isso,
algo que é estar
nesse infinito que não pude descrever no fim da poesia.




*
(E tampouco aprendi com o infinito.
Enquanto eu dele falava,estive distraída
com a vida.
A vida: falta-de-pontuação-do-meu-escrever

A vida mal-educada,
que não aprendeu
com ninguém
e
nada

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Olho de atenta pra privada.A pasta na boca,a-lisiamento da minha pele,enquanto imagino a calçada que pisarão as sandálias,cinco minutos e estarei viva.Ou antes estive viva,tão mais:os dentes podres,suvaco,enquando lia um texto e a cabeça era o máximo da minha agonia,minhas pernas cruzadas dizendo o quanto as idéias NÃO DESFILAM,mas são para tampar objetos com ponta.Por isso não sei como vai se expor,e vou-do ovo,dentro,ovo vou-,é tanto lá dentro e a jaqueta surrada leva uma eternidade,nas mangas o desespero de uma casa,um degrau que meus pés alcançam enquanto andam nos azulejos,porque a educação da privada eu aprendi,já a andar pela casa,intuição.revelia das pernas tortas tão retas na rua.Guardo os olhos caolhos em casa e saio para passear com a lente de olhos verdes.Só espero um tiro na testa,qualquer vestígio de sangue e mudez,nudez e sangue.(para passar a latir,farejar as sacolas)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

corre lá e aqui.
São cidades outras,mas as mesmas.
No corpo tenho guardada a minha digestão da matéria,
e lá eles se infiltram nas pedras da rua de um jeito,um jeito
muito igual ao que me prega nos meus postes.
Não gostamos de cinza,mas nos submetemos à matéria diária,
à matéria de engano e delírio geral.
Carregamos nas mãos,com uma força inventada,
o peso da carroça diária.Às vezes carregam em uma bicicleta.
(Também tenho uma bicicleta para carregar a inclinação das minhas costas.)
Dialéticas de imitação de tempo,tradição
e dor
na falsa renovação dos homens
quando,nas mesas de bar,contam suas piadas
sobre o dia,o trabalho,e a mulher,
o dia,o trabalho,e a mulher.

Inverga minha coluna o roçar das rodas.
E inverga a tua também...
Porque no fim do dia não há esperança.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Topo do sonho nu

Coçando minha barba,contando minhas sardas,fumando charuto, sugando um suco,correndo no cavalo, pintando minha boca.
Coroa de léu,vão da escada,boneca de trapo,balde vazio,rádio sem cor.
Moro num pavio,deslizo num desvio,galopo no inseto,rumino o artifício.
Alto do morro corre,casa vazia,pneu inchado.
Dois a dois ri.Dois a dois ri.
Tudo azul como num giro.

_
(vírgulas contam o fôlego do meu desejo)

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Evitamos as palavras.Morremos de tédio.
Batemos colheres.Aprendemos errado.


Vi(ré)vemos.
Verificamos debaixo dos braços,
mas só depois que o dia cai
morto
inssosso

Dia morto-inssosso!

depois que cai,entendo o Desgosto.
Febril e tosco.
(Dor nas costas dos velhos.)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

-Você tem fogo?
.
-Você tem fôlego?

quinta-feira, 9 de abril de 2009


Cultivo meus lados desajustados aos tamanhos das gavetas que me dão,e risco sonhos de furar o espaço no chão que imagino no ar,quando não há sobra que se infiltre a respirar e o limite é dito evidente.A força que me exigem eu não tenho mas,ao meu modo,o mundo é TAL e grifado grande,mas escondido de ti,que não quer ver e corre.Empilho constâncias passageiras para além do teto,e são definitivas.Estou grávida de sentidos individuais,então me dê a mão ou observe enquanto desaparece com o tempo,ou eu desapareço de ti.Em minha abertura desejo e respiro como me convém.E SOU ABERTA:me inflame.(subiríamos como um balão vendo a terra nauseante se transformar)

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Diário de viagem de uma noite só

Estive na BH,vi cavalos.
e os militares montados em seus cavalos
com suas espadas no meio da feira
que foi hippie,no meio da praça
que,Liberdade.

Montados em suas espadas de ponta cabeça apontados pro derrame da capital do meu estado de glória e amor
e a minha cidade de asfalto e sono.
e meu sono sem cidade ou teto.
Restou o afeto que furou meus braços
em alguma esquina que,noite,
estrela.

Pro cinema paguei caro.
E era triste a resina nos olhos
daquele espetáculo de barulho e temor.

E em quando os pássaros cantavam as cabeças dos mestres
e os mestres explodiam as cabeças dos pássaros,
ecoava acima do ouvido a buzida do cheiro (comida e alarme)
E foi em algum canto do carro que entrei da polícia,
que no início paguei caro o contrato de dor e apreci(ação)
mas no final de sorte pagaram minha passagem
pela incrível BH dos livros,a dos vivos,e muitos mortos.